Da obra aos fornecedores: A.Yoshii amplia agenda ESG para além dos canteiros
Relatório ESG 2025 mostra evolução em gestão de resíduos, energia renovável, segurança, avaliação de parceiros e governança
Em um setor como a construção civil, marcado por operações complexas, uso intensivo de materiais e recursos naturais, além de uma extensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, incorporar critérios ambientais, sociais e de governança à rotina do negócio representa um desafio que vai além de estabelecer metas e compromissos. Para uma empresa desse segmento, praticar a sustentabilidade significa olhar para muito mais do que a destinação de resíduos de uma obra. Envolve a escolha de materiais e fornecedores, os métodos empregados, o consumo de energia e água, a segurança de milhares de trabalhadores, a relação com comunidades e a forma como riscos e decisões são incorporados à gestão do negócio.
É justamente essa a perspectiva observada no Relatório ESG 2025 do Grupo A.Yoshii, que reúne os resultados ambientais, sociais e de governança da companhia entre janeiro e dezembro do ano passado. Elaborado com referência nos padrões da Global Reporting Initiative (GRI), o documento mostra uma agenda que vem sendo incorporada de forma consistente a processos, indicadores e mecanismos de controle em diferentes áreas da operação.
O movimento acontece em uma operação de grande escala. Em 2025, ano em que completou 60 anos de atuação, o Grupo A.Yoshii registrou R$1,8 bilhão em VGV, com 11 lançamentos, além de receita líquida de R$1,8 bilhão e lucro líquido de R$216,6 milhões. Ao final do período, eram 45 projetos de incorporação ativos, enquanto a operação da A.Yoshii General Construction mantinha 14 canteiros de obras corporativos.
Para Leonardo Yoshii, CEO do Grupo A.Yoshii, a escala da operação torna ainda mais importante transformar a agenda ESG em parte permanente do processo de tomada de decisão. “ESG não pode ser uma agenda intermitente ou paralela ao negócio. Em uma empresa com uma operação dessa dimensão, as decisões relacionadas a processos construtivos, recursos, pessoas, fornecedores e riscos precisam considerar também seus impactos. É essa integração que estamos buscando: fazer com que sustentabilidade, eficiência e responsabilidade estejam presentes na gestão cotidiana e sejam acompanhadas por indicadores.”
Menos desperdício, mais eficiência
Um dos exemplos mais concretos dessa integração está na gestão de resíduos. Ao longo de 2025, o Grupo gerou 88 mil toneladas de resíduos. Desse total, 31 mil toneladas foram reconduzidas do destino final por meio de operações de recuperação, sendo 30,8 mil toneladas encaminhadas para reciclagem. O índice de reciclagem chegou a 34,9%, acima da meta intermediária de 25% estabelecida pela companhia.
O objetivo maior, porém, vai além do resultado alcançado no período. O Grupo estabeleceu como compromisso de longo prazo chegar a 75% de reciclagem dos resíduos gerados nas obras, além de ampliar a reutilização de materiais diretamente nos canteiros. O relatório mostra que essa estratégia começa antes da etapa de destinação. A companhia relaciona a redução de desperdícios à adoção de métodos como industrialização de processos, alvenaria racionalizada, uso de paredes de concreto com fôrmas de alumínio e drywall. Além da utilização de BIM e princípios de Lean Construction para antecipar interferências, otimizar quantitativos e reduzir retrabalhos. “O resíduo é uma consequência de todo o processo construtivo. Por isso, não queremos olhar apenas para o momento em que ele precisa ser descartado. Precisamos agir antes, buscando mais precisão, menos retrabalho e melhor aproveitamento dos materiais. A reciclagem é uma parte importante dessa equação, mas a eficiência começa no planejamento e na execução”, explica Leonardo.
Essa visão também aparece na gestão energética. Em 2025, 90% da energia elétrica utilizada pelo Grupo A.Yoshii veio de fontes renováveis, enquanto a geração própria por painéis fotovoltaicos alcançou 232.395 kWh. A empresa ampliou a geração solar em unidades como a sede, a Yticon Londrina e a unidade de Campinas. Em relação ao consumo, foram adotadas medidas como substituição de iluminação por LED, instalação de sensores de presença e campanhas internas de economia. Nos empreendimentos, soluções arquitetônicas e tecnológicas incluem iluminação e ventilação naturais, fachadas com proteção térmica, elevadores de maior eficiência, iluminação LED nas áreas comuns e infraestrutura para recarga de veículos elétricos.
ESG ultrapassa os limites da empresa
Se resíduos e energia mostram como a agenda ambiental chega à operação, a gestão da cadeia de fornecedores amplia essa visão. Em 2025, o Grupo movimentou R$774,8 milhões em negociações conduzidas pelo Departamento de Suprimentos, sendo R$442,3 milhões destinados a fornecedores locais — 57% do total. A companhia também aprimorou a metodologia de avaliação ambiental de seus parceiros: dos 212 fornecedores homologados dentro desse escopo, 132 foram avaliados segundo critérios ambientais. Foram considerados aspectos como licenças ambientais, conformidade com o Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) e requisitos específicos relacionados às atividades dos fornecedores. Os contratos ainda preveem cláusulas que permitem auditorias e a suspensão de serviços em caso de irregularidades.
Na dimensão social e de integridade, a avaliação de critérios sociais é obrigatória para os prestadores de serviço. Em 2025, foram realizadas 2.037 análises de due diligence, classificadas em 281 casos de alto risco, 1.258 de risco médio e 491 de baixo risco. As avaliações consideram integridade, conformidade trabalhista, regularidade fiscal e adesão ao Código de Conduta e Ética. “A construção de um empreendimento envolve uma cadeia extensa de parceiros. Por isso, não faria sentido falar em responsabilidade apenas olhando para dentro da empresa. Temos avançado na avaliação de fornecedores e prestadores justamente para ampliar os critérios ambientais, sociais e de integridade presentes nessa relação”, afirma o CEO.
Crescimento acompanhado de responsabilidade com as pessoas
A dimensão social também ganha escala quando se observa o número de profissionais envolvidos na operação. O Grupo encerrou 2025 com 3.561 empregados próprios e 3.075 terceirizados, crescimento de 5,5% no quadro próprio em relação ao ano anterior. Foram mais de 65 mil horas de capacitação no período.
A responsabilidade social também alcança as comunidades. Por meio do Instituto A.Yoshii, criado em 2006, o Grupo desenvolve projetos nas áreas de educação, cultura, meio ambiente, esporte, cidadania e assistência social. Em 2025, quase 70 mil pessoas foram beneficiadas, em 14 projetos e ações sociais que resultaram em 39 iniciativas realizadas em diferentes localidades. Cerca de 6 mil voluntários foram mobilizados no período.
Governança transforma compromisso em controle
Na outra ponta da agenda ESG está a governança, responsável por criar mecanismos para que compromissos sejam acompanhados e desvios sejam identificados e tratados. O Grupo mantém políticas corporativas relacionadas à ética, integridade, anticorrupção, meio ambiente, gestão de resíduos e igualdade e inclusão. O Programa de Integridade reúne mecanismos de prevenção, detecção e resposta, enquanto a gestão de riscos considera aspectos econômicos, sociais e ambientais nas decisões corporativas.
Um dos mecanismos de controle é o Canal Confidencial, disponível 24 horas por dia e com possibilidade de anonimato. Em 2025, foram registrados 141 relatos, dos quais 44 foram considerados procedentes. Em casos envolvendo empresas terceirizadas, foram aplicadas 19 medidas disciplinares após denúncias procedentes.
O relatório mostra ainda que a gestão de riscos está sob supervisão do Conselho de Administração e envolve áreas como Gestão de Riscos, Compliance, Auditoria Interna e Jurídico, dentro de um modelo estruturado de controles. Para Leonardo Yoshii, a próxima etapa é justamente aprofundar a capacidade de identificar quais temas devem receber maior atenção estratégica. “Estamos avançando de uma agenda de iniciativas para uma gestão cada vez mais orientada por dados, indicadores e prioridades. O próximo passo é aprofundar essa visão, entendendo quais são os temas que realmente têm maior relevância para o negócio e para os nossos públicos.”
É nesse contexto que entra a análise de dupla materialidade, atualmente em desenvolvimento e com conclusão prevista para 2026. O processo deverá contribuir para identificar e priorizar os temas ESG mais relevantes tanto para a empresa quanto para seus stakeholders. A análise será mais uma etapa de uma agenda que o Grupo pretende aprofundar nos próximos ciclos. Entre os compromissos ambientais de longo prazo estão a ampliação da reciclagem de resíduos e a busca por obras com carbono neutro até 2050.
“Nossa visão é de longo prazo. O relatório é uma fotografia de onde estamos, mas também ajuda a enxergar onde precisamos chegar. Temos metas ambientais, processos de governança, compromissos sociais e, principalmente, a necessidade de continuar aprimorando a forma como medimos nossos impactos. Ao completar 60 anos, queremos que o próximo ciclo de crescimento seja acompanhado por uma evolução igualmente consistente da nossa agenda ESG”, conclui Leonardo Yoshii.
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