Mitos e verdades sobre a menopausa e a qualidade de vida

A menopausa marca o início de um período de 10 a 20 anos em que o corpo e a mente da mulher passam por intensas transformações decorrentes da falência ovariana e da interrupção na produção de estrogênio e progesterona.


Por muito tempo, essa fase foi encarada com resignação, acompanhada de sintomas
que afetam a memória, o sono, a libido e a saúde física e emocional. Os avanços da ginecologia mostram que não é mais aceitável abandonar a mulher ao sofrimento, havendo tratamentos eficazes e seguros para cada perfil de paciente.  

Em Descomplicando a menopausa, Waldir Moreno Arevalo, especialista em ginecologia e membro da Sociedade Brasileira de Climatério, ajuda na superação de velhos tabus e desinformações geradas por estudos antigos mal interpretados. 

A seguir, o ginecologista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre a menopausa.


Mitos


- A Terapia Hormonal aumenta o risco de câncer de mama


As revisões do estudo WHI mostraram que os riscos divulgados no passado foram superestimados por incluir mulheres idosas, tabagistas e cardiopatas. Além disso, o aumento discreto de risco verificado estava associado a progesteronas antigas.


Atualmente, com o uso de progesteronas naturais os protocolos de segurança têm riscos mínimos, e o uso de estrogênio isolado chegou a demonstrar redução em certos tipos de tumores. 


 O ganho de barriga e a perda do contorno do corpo são inevitáveis e não têm solução


Sem o estrogênio, a mulher tende a perder massa muscular (sarcopenia) e acumular gordura abdominal, dando a sensação de que o "bumbum sumiu e a barriga cresceu". No entanto, a prática de exercícios de força (como musculação), aliada ao tratamento adequado, recupera a musculatura, devolve as curvas e melhora a postura. 


- A perda da libido e as dores na intimidade fazem parte natural do envelhecimento e devem ser aceitas


O ressecamento e a falta de elasticidade na região íntima tornam as relações dolorosas, mas isso não é um caminho sem volta. O uso de terapias locais, o fortalecimento com fisioterapia pélvica e ajustes hormonais específicos podem melhorar a lubrificação, aliviar a dor e favorecer o conforto e a vida sexual.


Verdades


- Existe uma "Janela de Oportunidade" para iniciar as terapias com segurança


O tratamento hormonal deve ser iniciado preferencialmente nos primeiros 10 anos após o início da menopausa. Começar nesse período protege os vasos sanguíneos contra a aterosclerose e a inflamação, reduzindo o risco de infartos e AVCs. Iniciar muito tempo após esse período pode não trazer os mesmos benefícios vasculares.


- A menopausa desgasta a pele, unhas e cabelos, mas é possível retardar esse envelhecimento


A queda do hormônio feminino reduz drasticamente a produção de colágeno, deixando a pele mais fina, rugosa e sujeita a manchas, além de deixar unhas fracas e cabelos ralos. A restauração dos níveis hormonais e a reposição de vitaminas devolvem a hidratação, o viço da pele e o volume dos fios. 


- Exercícios físicos e alimentação saudável funcionam como remédios para a mente e o humor


Caminhadas, musculação, dança ou esportes aquáticos combatem a irritabilidade, a ansiedade e a "névoa mental" da menopausa. Além disso, adotar uma dieta anti-inflamatória rica em comida de verdade diminui o inchaço abdominal e garante energia e noites de sono reparadoras.

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