Mulheres fora do mercado encontram no empreendedorismo alternativa de renda e autonomia em Goiás
Primeira turma do Energia Feminina forma 96 mulheres em Goiânia e Aparecida de Goiânia
Depois de anos afastadas do
mercado de trabalho, muitas vezes dedicadas exclusivamente aos cuidados da casa
e dos filhos, mulheres em situação de vulnerabilidade social em Goiás estão
encontrando no empreendedorismo uma alternativa de renda, autonomia financeira
e reconstrução pessoal. Nesta terça-feira (2), 96 participantes da primeira
turma do programa Energia Feminina Goiás concluíram a etapa inicial de
capacitação voltada à criação e fortalecimento de pequenos negócios em Goiânia
e Aparecida de Goiânia.
A iniciativa é promovida pelo
Instituto Equatorial, em parceria com o Centro Integrado de Estudos e Programas
de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS),
com o objetivo de promover a inclusão produtiva e a geração de renda
para mulheres em situação de vulnerabilidade social, contribuindo para o
fortalecimento de sua autonomia econômica, emancipação e superação de situações
de vulnerabilidade e violência.
O programa oferece formação em
gestão financeira, planejamento de negócios, vendas, marketing,
sustentabilidade e eficiência energética. Além das mentorias e oficinas, as
participantes recebem um recurso semente de R$ 2,5 mil para iniciar ou ampliar
seus empreendimentos.
As participantes atuam em
áreas como confeitaria, artesanato, beleza, costura e vendas. Apesar das
trajetórias diferentes, muitas compartilham desafios semelhantes: dificuldade
de reinserção profissional, responsabilidade pelo sustento da família e necessidade
de conciliar maternidade e geração de renda.
Uma das formandas é Rutian
Castro Ramalho Pinheiro, de 44 anos, representante da turma do Jardim Itaipu,
em Aparecida de Goiânia. Mãe de dois filhos, ela deixou o mercado formal para
trabalhar com vendas e conseguir administrar as demandas domésticas. Segundo
Rutian, o curso trouxe ferramentas práticas para organizar a rotina financeira
e estruturar melhor o próprio negócio.
“Hoje é um divisor de águas na
nossa história. Saímos daqui sabendo o que fazer e como crescer. Esse projeto
nos deu dignidade e a possibilidade de construir um novo futuro para nossas
famílias”, afirmou durante a cerimônia de certificação. Com os conhecimentos
adquiridos, ela pretende ampliar a atuação no mercado de vendas de produtos de
beleza.
Outra participante que viu no
projeto uma oportunidade de recomeço foi Josy de Carvalho Feitosa, de 44 anos,
representante da turma do Polo Vila Delfiori, em Aparecida de Goiânia. Formada
em Administração, Josy nunca havia atuado na área para se dedicar à criação das
três filhas.
Após o fim do casamento,
precisou encontrar uma nova fonte de renda e descobriu na produção de bolsas
artesanais uma possibilidade de sustento. “Eu estava fora do mercado há mais de
20 anos, então o projeto foi uma oportunidade de reabrir minha mente, voltar a
sonhar e acreditar que eu posso ser empreendedora”, relata.
Já Jucilene Francisca dos
Santos, de 32 anos, estudante de Educação Física, mãe de quatro filhos e
representante da turma do bairro JK, em Goiânia, trabalha como trancista e
afirma que a capacitação trouxe mais segurança para transformar o talento em
negócio.
“A gente enfrenta muitos
desafios, mas eu não vou desistir. Foi muito gratificante participar do
projeto. Aprendi a montar um plano de negócios e a lidar com finanças. Meu foco
agora é empreender e me tornar uma empresária”, afirma.
O perfil das participantes
evidencia os desafios enfrentados por mulheres em situação de vulnerabilidade
social. A maioria se autodeclara preta ou parda, tem entre 30 e 59 anos e não
possui ensino superior. Cerca de 90% são mães, e pelo menos 25% são as únicas
responsáveis pelo sustento da família. O programa também inclui mulheres
lésbicas, bissexuais, trans e pessoas com deficiência (PcD).
Próximos passos
A formação inicial teve
duração de dois meses, com encontros presenciais e online realizados em Goiânia
e Aparecida de Goiânia. Agora, o programa entra em uma nova etapa voltada à
incubação dos negócios desenvolvidos pelas participantes. Das 96 mulheres formadas,
52 serão selecionadas para continuar no processo de aceleração dos
empreendimentos. Os nomes serão divulgados no próximo dia 17 de junho.
A coordenadora de programas e
projetos do Cieds, Júlia Barreto da Costa, ressalta que a fase inicial é
importante para trabalhar os temas de introdução ao empreendedorismo e para
formar uma rede de apoio entre as mulheres. “A fase de capacitação é um momento
de construção de comunidades. A gente trabalha a criação de vínculos entre as
mulheres. Além disso, todas elas saem
com seus planos de negócio construídos, com um olhar mais estratégico e
entendendo como investir melhor os recursos”, explica Júlia.
Nos estados onde o Energia
Feminina já foi realizado, o faturamento médio das participantes praticamente
triplicou após a capacitação, passando de cerca de R$ 1 mil para R$ 3,8 mil
mensais.
“Mais de 70% das
empreendedoras estabeleceram parcerias comerciais com colegas de turma e
utilizaram o recurso semente para contratar serviços ou adquirir produtos
dentro da própria rede, contribuindo para a circulação de renda e o
fortalecimento da economia local”, afirma a executiva de Sustentabilidade do
Instituto Equatorial, Janaína Ali.
Esta é a primeira edição do
programa em Goiás. Nacionalmente, a iniciativa já impactou mais de 1,1 mil
mulheres em estados como Pará, Piauí, Maranhão, Amapá, Alagoas e Rio Grande do
Sul.
As participantes continuam
sendo incentivadas a buscar novos cursos e programas de qualificação voltados à
formalização e expansão dos negócios.
Sobre o Instituto Equatorial
O Instituto Equatorial é a
estratégia social do Grupo Equatorial. Atua na promoção do desenvolvimento
social por meio de projetos voltados à educação, geração de renda e
fortalecimento de comunidades nos estados onde o grupo está presente.
Sobre a Equatorial Goiás
A Equatorial Goiás é uma
empresa que pertence ao Grupo Equatorial, uma holding brasileira do setor de
utilities, sendo o 3º maior grupo de distribuição de energia do País, com 7
concessionárias que atendem mais de 56 milhões de pessoas. Somente em Goiás são
cerca de 3,5 milhões de unidades consumidoras atendidas, localizadas em 237
municípios do Estado e abrangendo 98,7% do território estadual, com cobertura
de uma área de 336.871 km².
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